O HAKA NEO-ZELÂNDES: BELIGERANTE MANIFESTAÇÃO CULTURAL OU COISA DE VIADO?

Quem já viu uma partida dos famosos All Blacks deve ter observado que antes do jogo começar, os 15 rugbistas neo-zelandeses se reunem para encenar uma graciosa dancinha de guerra, o Haka. Essa dança típica dos Maoris, os nativos genéricos-e-parcialmente-dizimados da Nova Zelândia, é usada também em comemorações e zoeiras em geral. Porém, graças aos All Blacks, o Haka ficou famoso como uma dança de batalha.

Historicamente, o Haka é encenado pelo time neo-zelândes desde 1884 e passou a ser visto como parte do ritual pré-jogo dos All Blacks a partir de 1916. No entanto, segundo este vídeo, um jogador chamado Wayne Buck Shelford foi o responsável pela transformação do Haka em algo predominantemente intimidante, ao invés de predominantemente ridículo. Parece que os neo-zelandeses ficaram mais de 100 anos dançando errado, e coube a Wayne corrigir. Desde então, o Haka ganhou enorme popularidade no mundo do Rugby e é surpreendentemente respeitado pela absoluta maioria dos adversários.

O senso comum indica que as equipes que preferem fazer um útil trabalho de aquecimento, em vez de assistir a inconveniente dança Maori acabam sofrendo tryadas humilhantes. É claro que isso só foi possível pela ausência de cariocas gozadores no Rugby internacional. O hipotético time de Rugby da Rocinha provavelmente mandaria todo mundo tomar no cu, perderia por 112 a 3 e ainda sairia do campo chamando os vencedores de mané, o que arruinaria de vez a tradição kiwi.

O Haka é muito legal de assistir, em particular a nova versão, Kapa O Pango, mais demorada e gritalhona. A dança mais tradicional, interpretada desde o início dos tempos, se chama Ka Mate. É mais breve e elegante, embora menos apoteótica.

É importante observar que apenas os neo-zelandeses e algumas nações do Pacífico dançam antes da partida começar (veja nesse vídeo uma compilação de vários hakas). Uma dancinha para cada país do mundo, além de desnecessário, encheria o saco depois de um tempo e abriria margem para a seleção brasileira fazer a Dança do Siri antes do apito inicial.