Quem gostou da Cobertura Guarda Nacional da Copa do Mundo de Rugby, vai ter uma nova forma de se manter atualizado sobre as notícias desse esporte irmão do futebol e padrasto do futebol americano: DROPOUT!

Agora, você não precisa mais esperar de quatro em quatro anos para ouvir falar dessa modalidade esportiva. Prometo escrever um post a cada 18 meses… 

ÁFRICA DO SUL CONQUISTA BICAMPEONATO EM JOGO BOSTA

 

FINAL: ÁFRICA DO SUL 15 x 6 INGLATERRA

Em Saint-Denis, África do Sul e Inglaterra fizeram um típico jogo de final de Copa do Mundo: sem grandes lances e com os favoritos ao título jogando com o freio de mão puxado. Os Springboks bateram os ingleses por 15 a 6 e ergueram a taça pela segunda vez na história, em uma partida bastante truncada e inteiramente decidida em penais.

Quem esperava ver os sul-africanos jogando no mesmo ritmo dos últimos jogos foi logo surpreendido por um jogo bem mais conservador e xexelento. Isso ficou claro no final do primeiro tempo, quando ao receber um penal a um metro da linha de ingoal, a África do Sul optou por um chute entre as traves, ao invés de arriscar um scrum que deixaria o time muito perto de um try. Claro que essa acabou sendo a opção correta, mas é chato ver uma das melhores equipes do mundo jogando dessa maneira.

No primeiro tempo, Percy Montgomery anotou 3 penais para os Springboks, enquanto a Inglaterra marcou um com Jonny Wilkinson. Quando os times voltaram do intervalo e a África do Sul liderava o marcador por 9 a 3, os ingleses encaixaram um ataque fulminante, graças a uma ótima jogada de Matthew Tait. A descida culminou com Mark Cueto apoiando a bola no ingoal, mas o árbitro pediu o auxílio das câmeras de segurança para confirmar se Cueto não havia encostado na linha (no rugby, quando isso acontece, é bola fora). Quem estava na cabine olhando o replay trezentas vezes seguidas era um australiano, que garfeou na cara dura os ingleses e anulou o try, para desespero do príncipe William e seu irmão bagaceiro Harry. A Inglaterra tem tanta dificuldade para marcar pontos que mesmo seus trys legítimos são anulados.

Se aquele try fosse validado e a conversão anotada, os ingleses passariam a frente no marcador. Ao invés disso, o arbitro deu um penal de consolação por irregularidade marcada antes do try ser surrupiado. Jonny Wilkinson marcou, mas não foi suficiente. Com mais dois penais, os sul-africanos abriram uma vantagem de 9 pontos e seguiram vencendo até o final, livrando a cara do australiano. Apesar da partida ter sido disputada por uma equipe cujo mascote é um veado e outra cujo distintivo ostenta uma rosa chiquérrima, não faltou virilidade para nenhum dos lados. Os dois times fizeram um jogo muito pegado, até o último minuto.

Se houve alguma coisa divertida nessa final, foi o fato dos Springboks terem feito a Inglaterra provar do próprio veneno. Certamente os ingleses não vão mais encarar uma partida cheia de pênaltis da mesma forma. Outro episódio muito interessante foi a hilariante invasão de um maluco, que quase saiu disputando um ruck com os sul-africanos. Os policiais prontamente deram um tackle no fanfarrão e o retiraram de campo. No Brasil, não tem essas coisas. Se o cara faz isso no Brasil, ele vai preso. Na Europa, é tudo uma esculhembação…

Em geral, o Mundial foi um sucesso e teve grandes partidas. Coadjuvantes viraram estrelas e choveram resultados inesperados, repletos de superação e luta por parte dos vencedores. A final poderia ter sido melhor, mas não tenho dúvida que esse esporte tem tudo para se popularizar no mundo inteiro. Só posso dizer que me diverti um bocado nessas duas semanas, escrevendo enormes textos diários sobre um assunto do qual nada entendo. Se aprendi alguma coisa, foi a valorizar o trabalho dos jornalistas. Esses bravos guardiões da liberdade estão diaramente na redação de grandes jornais do Brasil e do mundo, sofrendo tendinites enquanto digitam incessantemente palavras-chaves no Google. É em nome desses mártires que dedico essa cobertura especial.

Muito obrigado a todos os leitores da Guarda e até 2011!

FAÇA CHUVA OU FAÇA SOL, A MINHA MAIOR ALEGRIA É CURTIR O RUGBY-FUTEBOL!

Chegou a hora! Amanhã, vamos conhecer o segundo bicampeão do mundo de rugby! A Inglaterra tenta defender o título, enquanto os sul-africanos querem  repetir o feito de 1995. Você está ligado a cada lance, a cada instante. Você está com a Guarda Nacional, está bem informado!

FINAL: ÁFRICA DO SUL x INGLATERRA

O Jogo:

Na primeira fase, as duas equipes se enfrentaram e os Springboks venceram por apenas 37 a 0. Jonny Wilkinson se recuperava de lesão e não jogou aquela partida. Os ingleses usaram isso como desculpa, não sem antes esboçar um sorriso amarelo.  E quando digo sorriso amarelo, não me refiro à coloração dentária dos cidadãos daquele país.

Não foi sem razão que os ingleses acusaram o golpe: o time é muito dependente de Wilco, e quando ele não vai bem, todo o time vai mal. Embora os sul-africanos tenham motivos de sobra para se considerarem favoritos, é bom lembrar que o abertura inglês sempre joga bem, mesmo quando joga mal. Com um chute irritante de tão preciso, Wilkinson conseguiu ser o maior pontuador de todos os tempos em Copas do Mundo.

Mas a Inglaterra não teria chegado nas finais com apenas um jogador. Os ingleses também possuem uma das melhores linhas de forwards do torneio, que fazem os trys adversários serem mais raros que britânicos sóbrios. Mesmo quem não entende de rugby já deve ter observado que o time inglês alia uma equação mortal em qualquer esporte coletivo: uma defesa quase impenetrável, com um jogador que faz os números no placar subirem como a conta bancária de um deputado.

É exatamente por isso que fica difícil entregar o caneco para a África do Sul antes do jogo. Não fosse essa combinação de fatores, os Springboks levariam essa fácil. São quase imbatíveis e estão muito a frente de qualquer país europeu. Marcaram pelo menos 30 pontos em todas as partidas e tem um poderio ofensivo que nenhum outro time tem. Se conseguir marcar Jonny Wilkinson e manter o mesmo ritmo dos outros jogos, a África do Sul fatura o bicampeonato, sem nenhuma dúvida.

Palpite:

Se há algum time que pode apatifar a final e tomar a taça dos sul-africanos na marra, é a Inglaterra. No entanto, os Springboks são muito superiores tecnicamente. Qualquer um pode ganhar, mas se a África do Sul vencer, a chance de uma tryada é muito maior. Posso estar dando uma de Casagrande, mas não vejo como a Inglaterra levar essa.  Nelson Mandela Forever, dois trys da Habana.

DECISÃO DO 3o. LUGAR: Argentina 34 x 10 França

Pela disputa do 3o. lugar, a Argentina deu um chocolate na França, em partida muito tumultuada. Só no primeiro tempo, a rosca fechou cinco vezes. Foram muitos empurrões, tapas na cara, dedos em riste, coices na bunda e outras varzeanices tipicamente argentinas. O árbitro não deixou barato e puniu as equipes severamente: um amarelinho pra cada time.

Os Pumas jogaram muito melhor e mereceram a vitória, apesar dos franceses terem contribuído com os argentinos jogando um rugby blasè.  Felipe Contempomi encerrou sua excelente participação na Copa marcando dois trys e totalizando 91 pontos no torneio, ficando atrás apenas do sul-africano Percy Montgomery. A Argentina ainda marcou mais dois trys com Federico Aramburu e Ignacio Corleto, enquanto os franceses só chegaram ao ingoal adversário uma vez, com Clemént Pointrenaud.

A final entre África do Sul x Inglaterra será disputada as 17h no horário de Alvorada. Quem tem acesso ao canal-a-gato ESPN Brasil poderá acompanhar ao vivo. A partida terá a narração de um cara que conjuga errado o verbo "escapulir" e os comentários de Antônio Martoni.

TUDO O QUE VOCÊ QUERIA SABER SOBRE RUGBY, MAS NÃO TINHA PARA QUEM PERGUNTAR #4

O Brasil tem uma seleção de rugby?

O Brasil não só tem uma seleção de rugby, como também tem uma boa quantidade de jogadores cobrando mais apoio e gravando matérias no Esporte Espetacular que encerram com a famigerada frase "quem sabe um dia o rugby não vai ser tão popular quanto o futebol?".
Assim como outros esportes com estrutura capenga e pouco incentivo, tais como Squash, Badminton, Paredão e Corredor-Polonês, o rugby no Brasil precisa lutar com o desconhecimento da população, que acha que "esse esporte de bola oval aí é coisa de americano".

A seleção brasileira tem chances de disputar uma Copa do Mundo de Rugby?

Teoricamente sim, pois não enfrentará a Argentina nas próximas eliminatórias (os Pumas conseguiram classificação automática para 2011 por terem chegado às quartas-de-final nessa Copa). No entanto, fica difícil esperar uma classificação quando o Brasil é eliminado pela superpotência Paraguai, como aconteceu nas últimas elimatórias.
A melhor coisa a se fazer é torcer para que a garotada do técnico Jonathan Scott Lowe vença Chile e Paraguai e esperar que o avião do time de rugby uruguaio caia nos Andes pela segunda vez consecutiva na história. Do contrário, vai ser complicado.

Rugby pelado.

Isso não é uma pergunta e sim uma pesquisa no Google feita por alguém que entrou aqui. Pessoalmente, não sou adepto dessa modalidade e sequer sabia de sua existência. Não tenho nada contra os praticantes desse esporte, mas me parece algo extrememente perigoso.  Para as categorias de base, há ainda a possibilidade do jogador perder a virgindade acidentalmente disputando um ruck. Eu não aprovo, mas acho que as pessoas são livres para fazer o que quiserem.

(Encerramos aqui o nosso FAQ. Agora tudo é final! A propósito: este site tem vários vídeos da Copa. É só clicar e assistir. Uma vez que sou idiota, não havia descoberto isso até agora e não sei que diabos faço para postar vídeos de YouTube e afins direto nos posts. Por isso, não perca mais tempo aqui! Vá lá ver os videozinhos antes que eles desapareçam!)

TUDO O QUE VOCÊ QUERIA SABER SOBRE O RUGBY, MAS NÃO TINHA PARA QUEM PERGUNTAR #3

Quais os diferentes tipos de rugby que existem?

O amigo e leitor Gustavo Faraon fez essa pergunta, fundamental para a compreender porque o rugby é o esporte que é atualmente. Antes de relatar quais os tipos de rugby e suas respectivas diferenças, não poderia deixar de escrever algumas linhas sobre a confusão que deu origem a isso.

Inicialmente, havia na Inglaterra apenas um código de rugby e os seus atletas eram todos amadores, além de almofadinhas endinheirados. Não era permitido que os clubes pagassem os seus jogadores pelos serviços prestados.  O problema foi que a rapazeada do Rubem Berta começou a jogar rugby e precisava faltar ao trabalho para isso. Para contornar esse problema, alguns clubes começaram a pagar compensação pelos dias de trabalho perdidos. A decisão gerou muito bate-boca na comunidade, e em 1895, 20 clubes envaretaram e resolveram cair fora da Rugby Football Union, formando a Northern Football Union. Os que ficaram continuaram sendo amadores e deram origem ao código de rugby chamado Rugby Union, enquanto os que formaram a nova liga profissionalizaram-se e deram origem ao Rugby League.

Com o tempo, os dois códigos do esporte foram se distanciando, embora a essência continuou a mesma. É importante observar que o profissionalismo só foi aceito no Rugby Union um século após "O Grande Cisma", em 1995. Até lá, muitos círculos praticavam um amadorismo de fachada, com um monte de gente "abrindo uma empresa e ganhando o salário por fora, pra não ter que assinar carteira".  Curiosamente, o Rugby League é bem menos popular que o seu desafeto aristocrata, embora essas distinções de classe não façam mais sentido, nos dias de hoje.

Confira abaixo as principais diferenças do Rugby League para o Rugby Union:

- Cada time tem 13 jogadores;
- O campo é menor;
- Não há rucks. Quando um jogador é derrubado, ele deve levantar-se, colocar a bola no chão e empurra-la com o pé para um jogador que está atrás. Um time que está atacando perderá a posse de bola se sofrer seis tackles consecutivos;
- Não há lineouts. Quando a bola sai do campo, é disputado um scrum;
- Um try vale 4 pontos;
- Um pênalti vale 2 pontos;
- Um drop vale um ponto.

TUDO O QUE VOCÊ QUERIA SABER SOBRE O RUGBY, MAS NÃO TINHA PARA QUEM PERGUNTAR #2

Por que as bolas de rugby são ovais?

Originalmente, as bolas de rugby tinham um formato mais esférico, pois eram feitas com bexigas de porco. No entanto, graças à  esposa do fabricante de bolas Richard Lindon, morta após pegar uma doença soprando bexiga de porco, elas passaram a ser feitas com câmaras de borracha. A maleabilidade do material usado pelo viúvo fez com que as bolas passassem a ter o formato de um ovo, quando cheias.

Talvez porque carregar uma bola oval é mais fácil que carregar uma bola redonda, em 1892 a entidade que regulamentava o rugby na Inglaterra tornou obrigatório o uso de bolas ovais. Ao longo dos anos, ela foi ficando mais simétrica e bonitinha, como você pode ver logo abaixo (Fonte: The Observer, 5 de Fevereiro de 2006)

 

Que diabos é um "Springbok" ou um "Wallaby"?

Essa é uma pergunta que até mesmo pessoas fluentes em inglês fazem. Na verdade, o Springbok nada mais é do que uma espécie de antílope que habita as savanas sul-africanas. Seu nome deriva do idioma africâner: "Spring" significa antílope e, "bok", pulo. Assim, podemos dizer que o mascote da África do Sul é um veadinho saltitante. Veja só, que curioso!

Quanto ao mascote da Austrália, o Wallaby, é apenas um primo nanico do canguru. Confira nas fotos abaixo como são os animais. (Um deles é veado. Vou deixar vocês descobrirem…)

 

TUDO O QUE VOCÊ QUERIA SABER SOBRE O RUGBY, MAS NÃO TINHA PARA QUEM PERGUNTAR

Por que o rugby tem um monte de competições?

Se alguém tentar acompanhar o rugby internacional, provavelmente irá observar que todo ano um bocado de competições entre países são realizadas. O que acontece é que no rugby o calendário das seleções tradicionais é diferente de esportes como o futebol, no qual Andorra e Bolívia jogam praticamente o mesmo número de jogos e as mesmas competições que Itália e Brasil (ou pelo menos têm chances de disputar as mesmas competições, para vocês que já estão escrevendo um comentário sobre Andorra nunca ter ido à Copa do Mundo). No esporte da bola oval, a maior parte dos confrontos internacioais vêm de torneios menores e amistosos são menos freqüentes.

Antes da Copa do Mundo surgir em 1987, a única forma das seleções de países se enfrentarem era através de amistosos ou dessas competições anuais, que foram criadas como confrarias de cavalheiros, onde ninguém entra e ninguém sai. A maior competição internacional da Europa, o Six Nations, é disputada anualmente entre as seleções de Inglaterra, França, Escócia, Irlanda, País de Gales e Itália. Não há como conseguir classificação para o Six Nations; ou nasce lá, ou vai ter que disputar o Campeonato Europeu, a Segundona européia. A diferença, é que até que a IRB resolva baixar um decreto, nações emergentes como Romênia e Geórgia não sobem para a "Série A" ano que vem. Assim, torneios brotaram por toda a parte, sempre na base da panela.

Esse cenário geopolítico único do rugby deve-se principalmente ao fato da divisão entre amadores e profissionais persistir até hoje. Além disso, a ausência de uma estratégia da IRB para desenvolver e democratizar o esporte em escala global também contribuiu para que um abismo surgisse entre as nações. Reclamam do Havelange, mas se hoje tem criança morrendo queimada em Darfur com a camiseta do Ronaldo, é porque há um pouco do empreendedorismo do velho nisso.

Abaixo, uma lista com as competições mais tradicionais do mundo do rugby:

SIX NATIONS: Disputada todos os anos entre as quatro seleções das ilhas britânicas, mais França e Itália. Teve a primeira edição em 1883 e na época apenas os países do Reino Unido e a Irlanda jogavam. Mais tarde, a França entrou, foi expulsa e voltou pra ficar em 1955. O torneio recebeu o nome atual após a entrada da Itália em 2000. Os franceses venceram a última edição.

CAMPEONATO EUROPEU: É o torneio principal para o resto da Europa, com a presença de seleções de nível mais amador. Romênia e Portugal têm barbarizado nos ultimos anos.

TRI NATIONS: Disputada pelas potências do hemisfério sul: Nova Zelândia, África do Sul e Austrália. Foi criada pelas federações desses países para ser um equivalente meridional do Six Nations, já que não tinham com quem jogar naquela parte do planeta. Especula-se que a Argentina poderá entrar no torneio em breve.

PACIFIC NATIONS: Disputada pelas simpáticas ilhotas do pacífico Fiji, Tonga e Samoa, mais o Japão. Nova Zelândia e Austrália seguidamente são convidadas, embora não mandem os times principais (os All Blacks mandam o time júnior, enquanto os Wallabies mandam o time B).

CHURCHILL CUP: Competição que homenageia o estadista mais muleke de todos os tempos, Winston Churchill. Foi criada no pós-guerra e é disputada por Canadá, EUA e a Inglaterra B. Atualmente, três países são convidados, geralmente Escócia B, Irlanda B e o time Maori da Nova Zelândia. A Argentina também ja jogou o torneio em outras edições.

Em breve, mais dúvidas serão respondidas. (Não se preocupem, as repostas serão menores que essa…)